Por Ana Karina Moraes
Autora deste texto:
Ana Karina Moraes
anakmor@yahoo.com.br
Recife, 01 de Maio de 2004
Pensar em mecanismos de apoio aos diversos grupos juvenis que compõem os movimentos de Juventude tem sido uma constante para nós, que fazemos parte da Academia de Desenvolvimento Social. Por sermos uma organização composta por jovens, que tem história nos movimentos juvenis, principalmente o estudantil, e por conhecermos bem as dificuldades que um grupo tem no início de sua formação, fez com que abraçássemos a causa de apoiar e fortalecer esses movimentos.
No entanto, o nosso foco não é em qualquer movimento de juventude. Acreditamos na capacidade dos seres humanos de se inquietarem com muitas questões importantes no nosso país – falta por educação, pobreza, falta de moradia, falta de participação política, falta de mobilização comunitária, entre tantas outras, mas percebemos que essa inquietação está mais presente na juventude. E não é uma inquietação involuntária, trata-se de uma vontade de mudança, de acreditar que pode ser um ator importante nas diversas transformações que o nosso país tanto necessita, sejam elas sociais, culturais, ambientais e/ou políticas. Por isso, apoiamos movimentos juvenis que se inquietam por uma outra realidade.
Nesse sentido é que temos nos deparado com reflexões e ações intensas para apoiar e fortalecer esses grupos juvenis que têm ânsias por mudanças. Reflexões, porque o assunto exige e os movimentos juvenis têm especificidades que os distinguem e conhecer essa diversidade é importante para encontrarmos melhores formas de apóia-los. Ações, porque só assim se consegue transformar sonhos em realidade.
Sendo assim, encontramos duas formas de concretizar o apoio aos grupos juvenis: com o Programa Incubadora Social para Ação Jovem, criado em 2002 e o Programa de Liderança, criado este ano. Ambos trabalham na perspectiva de fortalecimento do movimento juvenil. A diferença está no foco que se dá para contemplar essa diversidade. O primeiro tem a perspectiva de fortalecer grupos que já estão consolidados e necessitam amadurecer a sua proposta de mudança para impulsionar as suas ações. O segundo tem a perspectiva de trabalhar a liderança do grupo que está se formando e necessita fortalecer os laços existentes que o une, necessitando conhecer mais sobre o momento do grupo, a verdadeira razão de existir e o contexto social que o envolve (mais informações no sitewww.academiasocial.org.br).
Essas, foram as formas que encontramos de apoiar grupos juvenis. Esse apoio não está relacionado a recursos financeiros – ainda que seja um sonho nosso articular um fundo de apoio – mas a uma relação diferente, que acredita na força da juventude, que está disposto a dividir responsabilidades e que provoca um sentimento de fortalecimento quando se sabe que o outro acredita na proposta e está disposto a dividir momentos bons e difíceis, trazendo o verdadeiro sentido do construir junto.
Percebemos que isso não é algo difícil, tampouco somos os únicos. Várias organizações que trabalham com jovens podem fazer isso, dentro da sua área de atuação. Aliás, algumas já fazem, como é o caso do Coletivo Mulher Vida, que tem dado muito apoio ao Grupo Força Mista . E é conversando com o grupo que se percebe que o apoio acontece de uma maneira muito natural: uma relação de igualdade entre eles, com uma abertura de diálogo; a divisão de responsabilidades – como escrever um livro junto sobre o problema em comum que combatem (violência sexual); o acompanhamento de uma pessoa que sempre está por perto para trocar umas idéias, amadurecer algumas reflexões, dividir as angústias e felicidades, enfim, uma verdadeira relação de parceria.
O que se percebe é que não é necessário ficar criando vários programas dentro de uma organização para se apoiar grupos juvenis. Basta mudar a postura diante da juventude: estabelecendo relações de confiança mútua, percebendo que eles têm grandes propostas de mudança e que estão se responsabilizando por liderar algumas, necessitando, como toda organização, de parceiros que compartilhem dos mesmos ideais para se fortalecer e construir um mundo mais justo e humano. Nós acreditamos nessa relação e encontramos algumas formas de apoio, qual será a sua?
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