Por Mateus Fernandes
Autor deste texto:
Mateus Fernandes
Membro do Grupo Interagir e Bacharelando em Filosofia
mateus@interagir.org.br
Brasília, Abril de 2007
Tema: Apresentação de uma visão sobre o Movimento Juvenil à luz de re-significações dos conceitos de Política, Poder, Liberdade e Violência. [i]
[i]Artigo escrito para: PROGRAMA EAPICD – Educação Ambiental para Projetos Integrados de Conservação e Desenvolvimento CICLO 3 – 2006/2007. Realização: WWF-Brasil e Núcleo Maturi. Por: Mateus Fernandes, Membro do Grupo Interagir e Bacharelando em Filosofia, mateus@interagir.org.br. Escrito em: abril de 2007.
SEÇÃO I – SOBRE MOVIMENTOS SOCIAIS
“ Quem habita este planeta não é o Homem, mas os homens. A pluralidade é a lei da Terra”. Hannah Arendt.
Até o início do século XX, tratava-se dos atores políticos apenas no âmbito das classes sociais e dentro da relação classe-partido-Estado. Ou seja, o conceito de movimento social estava intimamente ligado às ações dos trabalhadores nos sindicatos. Grosso modo, é somente a partir da década de 60 que essas definições assumem consistência teórica, principalmente na obra de Alain Touraine – para quem os movimentos sociais seriam o próprio objeto da Sociologia – e de Manuel Castells – que, a partir de sua indagação pelos movimentos sociais urbanos, lhes outorgou visibilidade. Na década de 70 percebe-se um deslocamento do foco de atenção dos aspectos meramente econômicos para os sócio-políticos; dos segmentos políticos para os segmentos sociais; da abordagem macro-estrutural para a micro-política; da luta de classes para os movimentos sociais. Para Telles, esse processo é classificado como “ a descoberta dasociedade como lugar da política”[i].
Outros estudiosos, compreendendo tanto o desenvolvimento do conceito como suas contradições e seu caráter reducionista, buscam definições mais amplas, com caracterizações que extrapolem o âmbito teórico-academicista. Alberto Melucci, por exemplo, adota a idéia de redes de ações coletivas como fenômeno multidimensional, que conferem novos códigos simbólicos à sociedade, subvertendo a ordem estabelecida e criando um sistema de intercâmbio de pessoas e de informação, onde há um tipo de solidariedade afetiva e um envolvimento pessoal e de identidade[ii]. Ilse Scherer-Warren, por sua vez, descreve os movimentos como um “ conjunto depráticas sócio-político-culturais, resultante de múltiplas redes de relações sociais entre sujeitose associações civis, que visam a realização de um projeto de mudança”[iii].
É a partir destas últimas visões que se funda a noção de movimento de juventude. Partindo-se de caracterizações que alcancem as definições de movimentos sociais apontadas, percebe-se que um movimento de juventude trata de um segmento social geral (sem classes sociais determinadas), caracterizado, principalmente, pela faixa etária. Esse movimento constitui-se de forma desorganizada, uma vez que não têm líderes definidos (nem por mérito, nem por hierarquias) nem membros reconhecidos (a não ser pela faixa etária). O desenvolvimento e o crescimento deste movimento não são lineares e suas manifestações não são regulares. Suas estratégias e seus objetivos, apesar de vagos e difusos, giram ao redor deste mesmo segmento, mas também focam em mudanças da sociedade – uma espécie de contracultura geral – que podem ser transformadoras, reformadoras, intervencionistas ou culturais.
Novas são as demandas sociais e novos são os meios empregados para intervir, transformar ou reformar. Novos são os modos de organização, variados são os processos de subjetivação e diferentes são as bandeiras, causas, propósitos e valores. Perpassando por praticamente todas essas distintas possibilidades, está aquilo que iremos chamar, em princípio, de movimento de juventude. Pode-se fazer discussão mais profunda sobre diferenças entre a denominação de movimento juvenil – aquele movimento social que é feito legitimamente por jovens, com jovens e para jovens (em conexão, muitas vezes, com outras temáticas) – e de movimento de juventude – movimento social que tematiza, aborda e gera políticas públicas para o segmento das juventudes – mas iremos tratar ambos, no escopo desse artigo, de forma indiferenciada.
SEÇÃO II – SOBRE MOVIMENTOS DE JUVENTUDE
“ É indispensável compreender que o papel da escola é ensinar aos jovens o que é o mundo e não inculcar-lhes a arte de viver”. Hannah Arendt.
“ Não acreditamos que o discurso entrave a ação; o que nos parece prejudicial é que as questões não se esclareçam, antecipadamente, pela discussão”. Péricles.
Há muito se vê jovens participando ativamente da vida pública, de movimentos sociais, da política. Com a chamada Onda Jovem[iv], há um holofote apontado para esse segmento social denominado Juventude desde, pelo menos, 19856[v]. E, na luz muitas vezes ofuscante dessa discussão, surge o questionamento sobre as atividades desse grupo. Estarão eles e elas organizados? Têm eles e elas pautas e reivindicações? Quais são as ações possíveis de serem realizadas por esses jovens e essas jovens? Serão eles e elas, afinal, um movimento? Pode-se, com isso, ponderar se esse grupo social tange algumas das visões e paradigmas de movimentos sociais e, mais além, se devemos, com justiça, configurá-lo como tal.
Como é inerente a toda definição, determinar que o movimento de juventude seja um movimento social como outros pode influenciar negativamente e enclausurar um poder emergente nas celas das ciências sociais – quando um pensamento transversal e um paradigma transdisciplinar seriam necessidades mínimas para essa temática.
Talvez uma das maiores qualidades ou propriedades mencionadas diante de questionamentos sobre a juventude seja o caráter transformador que aparece potencialmente nesse segmento social, nessa etapa das vidas humanas. Os povos originários faziam rituais para comprovar a força e a destreza de seus jovens – percebendo que o corpo é uma ponte para o mundo[vi]– como vemos Péricles afirmar, sobre os atenienses, que, “ no que se refere à educação, acostumam, mediante treinamento fatigante desde crianças, sua potência viril”[vii]. Em nossa história moderna, os movimentos estudantis são encarados e percebidos a partir da potência juvenil[viii]e, dentre outras formas de organização combativa, promoveram confrontos e guerrilhas.
Nada disso é tão novo que não possa se repetir, conquanto que a repetição que ocorre não é das mesmas práticas ou das mesmas idéias – o que se repete é justamente a diferenciação da transformação. Talvez os jovens e as jovens não sejam assim tão como seus pais, como cantava a música. Afinal, a novidade que pode surgir no nascimento de um novo ser, de uma nova idéia, é algo encantador e amedrontador ao mesmo tempo. Assim, diante dessa inconstante, embora permanente, possibilidade de transformação da realidade na natalidade, “ nomadismo e metamorfose parecem constituir respostas para essa necessidade de continuidade através da mudança”[ix], como aponta Melucci.
Mas o nascimento, ou a metamorfose de indivíduos, num mundo com 6 bilhões de habitantes – em que uns vivem e em que outros somente sobrevivem – nem sempre é comemorado da forma como deveria: com alegria, com gosto de esperança e com sopro de natalidade. Hannah Arendt já afirmava sua convicção na natalidade, pois “ o novo começoinerente a cada nascimento pode fazer-se sentir no mundo somente porque o recém-chegadopossui a capacidade de iniciar algo novo, isto é, de agir. Além disso, como a ação é a atividadepolítica por excelência, a natalidade, e não a mortalidade, pode constituir a categoria central dopensamento político”[x]como força geradora e transformadora de um mundo que tem, na ação política, uma potência criadora, pois inicia, e renovadora, pois gera.
Entender o agir de um coletivo como “ação-política” é fundamental na observação dos movimentos sociais e, particularmente, naqueles empreendidos pelas juventudes, principalmente porque “ nos últimos trinta anos a juventude tem sido um dos atores centrais em diferentes ondasde mobilização coletiva: refiro-me a formas de ação inteiramente compostas de jovens, assimcomo à participação de pessoas jovens em mobilizações que também envolveram outrascategorias sociais”[xi], como ressalta Melucci. Esse “agir” arendtiano possui duas dimensões, igualmente importantes no resgate e na percepção da potência que dele advém. Em termos gregos, o início da ação, a força que age primeiramente, vem da palavra archein, que significa “começar”, “ser o primeiro” e, em alguns casos, “governar”; enquanto o verbo prattein significa “acabar”, “realizar”, e indica a continuidade, feita por muitos, de uma ação iniciada. Na tradição latina, os verbos correspondentes são o agere, que trata de “imprimir movimento a alguma coisa”, de “guiar” ou de “liderar” inicialmente uma determinada ação; ao passo que o seguimento da ação, a força que mantém, coletivamente, o movimento da ação, vem do outro verbo latino gerere, que significa “conduzir”. Assim, continuando o pensamento de Arendt, afirma-se o porquê de toda ação ser política: por sua natureza imprevisível – dada pela “ impossibilidade de se prever as conseqüências de um ato numa comunidade de iguais, ondetodos têm a mesma capacidade de agir”[xii]– e irreversível – posto que é impossível “ se desfazero que se fez, embora não se soubesse nem se pudesse saber o que se fazia”[xiii], transitando tanto no plano coletivo quanto no plano individual, sempre no espaço público.
Da novidade surge o imprevisível. No nascimento revela-se o irreversível. Se não podemos prever nem reverter o movimento de ação-política, talvez seja difícil apontar finalidades (a serem necessariamente alcançadas) para essa ação – Hannah Arendt aponta que o perdão, para a irreversibilidade, e a promessa, para a imprevisibilidade, são “forças estabilizadoras” para esses problemas-potência da ação. Então, o caráter não-finalístico implica na impossibilidade de criarmos um, e somente um, projeto de mudança – como poderia pretender Scherer-Warren. Assim, é por meio da política – entendida aqui, ainda, como aquela conversa com agentes sobre interesses que, partilhados, fazem surgir decisões para um futuro comum – que os jovens, e tantos outros, podem exercer seu caráter transformador. Mas a juventude deve estar comprometida com um “único” projeto de mudança – abraçando a necessidade de manter promessas – ou deve se envolver no surgimento do novo, daquilo que é sempre contemporâneo ao seu tempo – comprometendo-se com a possibilidade de perdoar?
A partir disso, imediatamente, surgem pelo menos três questionamentos diante do possível enclausuramento que pode afetar esse segmento social que age, se tentarmos enquadrálo nas definições de movimentos sociais.
Um movimento social está associado, segundo Scherer-Warren, a um projeto de mudança, seja ela social (a partir do cotidiano), sistêmica ou civilizatória. Talvez – e é a tese apresentada – a juventude, quando agrupada por intermitentes e passageiros momentos, transfigure uma rede de geração de poder, ao invés de um movimento social. Seus pontos de conexão são difusos e não seguem padrões – desse modo, a observação deve ser feita de forma transdisciplinar ou holística, apesar de haver, na maioria dos casos, idéias-força relativamente comuns (que tratam de interesses particulares dessa faixa etária, mas que também focam em mudanças da sociedade, como já apontamos). Nessa rede não se configuram líderes minimamente duradouros, já que não há nem lideranças circulares nem situacionais tão evidentes. Os líderes não são definidos por mérito – muitas vezes os jovens (bem com a sociedade em que vivem) não reconhecem em indivíduos do segmento social “juventude” (que é caracterizado por uma estreita faixa etária, mas que traduz mudanças radicais na psicologia e na identidade dos indivíduos) pessoas com as quais possam ganhar experiência – nem por hierarquias, dado o caráter muitas vezes horizontalizante do próprio movimento. O reconhecimento mesmo dos membros desse movimento é dificultado, quando a única característica sumariamente observável é a faixa etária – ao passo que deveria ser o inter-esse. Em sua estrutura não se conhecem pontos de articulação que sejam necessários – os parceiros são transitórios e variáveis, dificultando a consolidação de agendas mínimas comuns e a partilha de objetivos e visões[xiv]. A ação é empreendida para fazer emergir poder, um poder com tendências sinérgicas ou, às vezes, conquistadoras[xv]. Não há uma utilidade finalística (para se projetar, já, uma mudança) ou necessidade de se permanecer com o poder, já que esse poder de que trata este trabalho (e que, acreditamos, seja o poder gerado nessa rede) “ não pode serarmazenado e mantido em reserva para casos de emergência, como os instrumentos daviolência: só existe em sua efetivação”[xvi].
Outro ponto que reforça os questionamentos aparece quando notamos que a juventude sempre esteve entre os movimentos sociais, dentro dos movimentos sociais – mesmo sem ser reconhecida como segmento social específico. Mas, agora que há esse reconhecimento, quando os jovens são “sujeitos de direitos”, dela é cobrado um movimento à parte, sem lhe ser permitido (porque ela mesma não se permite), descolar-se dos movimentos dos quais provém. E não se permite por, pelo menos, dois motivos implícitos, mas muito bem percebidos e explicitados por Arendt. Afastar-se ou desconectar-se é perder capacidade de geração de poder, pois “ o únicofator material indispensável para a geração do poder é a convivência entre os homens. Estes sóretêm poder quando vivem tão próximos uns aos outros que as potencialidades da ação estãosempre presentes”[xvii]. E, mais do que isso, criar um movimento separado, desvinculado de outros discursos sempre professados por esta mesma juventude é correr o risco de desconectar palavra e ação, perigo para o qual Hannah Arendt faz a seguinte observação: “ O poder só é efetivadoenquanto palavra e ato não se divorciam, quando as palavras não são vazia e os atos não sãobrutais, quando as palavras não são empregadas para velar intenções mas para revelarrealidades, e os atos não são usados para violar e destruir, mas para criar relações e novasrealidades”[xviii]. Assim, manter-se fiel às origens – e a origem para muitos jovens se dá nos limites de outros movimentos e bandeiras – é manter idéias com conteúdo e realizar atos coerentes e convictos. E essa pluralidade de origens e opiniões, por mais que soe como dificuldade por sobrepor interesses e agendas, revela-se como potência de geração de poder, desde que se aprenda – e não se aprendeu ainda – a construir relações fundadas nessa imensa pluralidade e a utilizar ferramentas e espaços para esse diálogo de saberes diversos.
Por fim, mantidos próximos o bastante da luz ofuscante de outros movimentos, talvez não estejamos “protegidos” o suficiente para sermos fecundos da forma como se espera – e a própria juventude espera de si – para iniciar e gerar transformações. Criar e manter um movimento de juventude, nesse cenário de luminosidade implacável, que não deixa agir nas sombras, que impede processos de subjetivação e autenticação, parece possível? De outra forma, desconectarse é perder-se ou é ocultar-se para se fortalecer?
Estas incertezas e outros riscos do contemporâneo criaram um fenômeno conhecido por “hojelização”. Não há, para uma boa parcela das juventudes, perspectivas futuras – e seu passado ou é banal e frugal ou é aterrorizante e traumatizante. E, por isso, os jovens e as jovens se concentram no que podem fazer hoje, eternamente. E essa experiência do eterno, fruto de uma sociedade fundada sobre valores platônico-cristãos, tão cara em tempos de “vale de lágrimas”, realça o aspecto mórbido de uma juventude que não age. Para Arendt, “ a experiência do eterno éuma espécie de morte”[xix], já que, politicamente falando, para o bem da vita activa, deveríamos buscar, na ação, a imortalidade. “ Só os melhores (os aristoi ), que constantemente provam ser osmelhores (aristeuein , verbo que não tem equivalente em nenhuma outra língua) e que ‘preferema fama imortal às coisas mortais’, são realmente humanos; os outros, satisfeitos com osprazeres que a natureza lhes oferece, vivem e morrem como animais”[xx]. Algumas vezes, a única coisa que essas juventudes vêem diante de si é a possibilidade de reagir – contra as grades que as cercam, por exemplo – ou de se adaptar – dentro das grades que também cercam. Há espaço real para a ação? Podemos ser, efetiva e autenticamente, agentes de nossas potências ou seremos somente atores no nosso teatro social?
Novamente, os povos originários, os povos que fizeram surgir a política de que trata esse texto, podem nos indicar as motivações para a necessária re-significação dessas palavras: homem político ( bios polikos), ação política, poder, liberdade, violência e autoridade.
Reuniam-se em conselhos de guerreiros – os melhores ( aristós) guerreiros – para compartilhar suas aventuras e desventuras. Todos deviam buscar a excelência em seus movimentos e ações. Não era uma busca por atitudes meramente virtuosas, mas ações que lhes trouxessem imortalidade, como quando a obra de um artista imortaliza seu criador-artesão por sua ética-estética, que foge da linha reta da vida mortal “ num universo em que tudo o que semove o faz num sentido cíclico”[xxi]. Assim, há que se observar: imortalidade não deve ser encarada como eternidade. Eternidade está além do mundo plural do ser humano, configura-se num plano transcendental, arrheton (indizível). Imortalidade “ significa continuidade notempo”[xxii], posto que os imortais ficam na história por suas ações, por terem sido iniciadores de ações que foram, por outros, geridas e continuadas. Não são líderes, senão momentâneos e contemporâneos – a liderança é circular e situacional. São heróis de guerra que se arriscam, seja para morrerem em combate, seja para voltarem salvos da guerra e compartilharem seus feitos com os outros melhores guerreiros. Dessa forma, podiam dialogar sobre as excelências e preparar as decisões para um futuro comum – aprendiam a fazer política – recriando o zoonpolitikon como zoon logon ekhon (“um ser vivo dotado de fala”).
Mas nós nos esquecemos disto. Quando o passado fica distante demais e as sociedades perdem suas memórias ancestrais, o presente fica “menor”. Quando o futuro fica distante demais e as sociedades não conseguem mais sonhar ou criar utopias, o presente também fica “menor”. O presente passa a ser o único tempo, pequeno, por falta de opção. Então, o que acontece é que o passado e o futuro tendem a esmagar o presente, a diminuí-lo. Ele se reduz ao único instante e nada mais tem o seu valor latente. Assim, a aceleração das mudanças talvez tenha implicações na redução da nossa capacidade de tomar decisões coletivamente – e as juventudes são afetadas por esse fenômeno sobremaneira.
SEÇÃO III – CONCLUSÕES
“ O pensamento nasce de eventos da experiência vivida e deve continuar ligado a eles como os únicos guias apropriados para o orientar”. Hannah Arendt.
Por tudo isso e apesar de tudo isso, ainda podemos afirmar que o movimento juvenil, por preferirmos denominar assim, se assemelha a uma máquina de guerra, plantada no ventre do sistema – um sistema que ainda se alimenta da possibilidade transformadora, da existência de uma juventude. Mas o movimento ainda não chegou ao coração – para se fazer perceber e sentir – e nem mesmo ao cérebro – para animar suas vontades e tomar decisões.
Mas essa máquina ainda tem pouca munição. Os que “detém poder” impedem a sinergia, furtam-se do diálogo e da persuasão, quando, na verdade, não geram poder algum, pois precisam da violência para se manter nos locus de poder – e violência sempre impede o exercício do poder, pois “ convencer os outros, em que pese a manipulação que esteja aí implicada,consciente ou inconscientemente, é ainda totalmente distinto de coagir os outros por meio douso de instrumentos da violência. O aspecto importante é que a persuasão se dá no âmbito dacomunicação entre iguais no espaço público e não apela para a imposição intransigente de umponto de vista amparado no emprego de meios violentos”[xxiii]. Assim, as juventudes não podem, ainda, ter autoridade. Entenda-se: não podem ser plenas autoras de suas ações, tanto por estarem inseridas em muitos outros movimentos quanto, e principalmente, por simplesmente não poderem agir e gerar espaços de poder. E esses fatores, reunidos, indicam discordâncias para com as definições de movimentos sociais.
[i]TELLES, Vera da Silva. Movimentos sociais: reflexões sobre a experiência dos anos 70. in Uma revolução no cotidiano? Os novos movimentos sociais na América Latina. [org. SCHERER-WARREN, Ilse, KRISCHKE, Paulo J.] São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 62.
[ii]MELUCCI, Alberto. Juventude, tempo e movimentos sociais. in Revista Brasileira de Educação. nº 5 e 6. São Paulo: ANPED, 1997. p. 11-14.
[iii]SCHERER-WARREN, Ilse. Movimentos Sociais e participação. in Ambientalismo e participação na contemporaneidade. [org. SORRENTINO, Marcos] São Paulo: EDUC/FAPESP, 2001. p. 45.
[viii]Sobre uma análise do Movimento Estudantil brasileiro na década de 90, confira o estudo, de Ann Mische, na Revista Brasileira de Educação. nº 5 e 6. São Paulo: ANPED, 1997. p. 134-150.
[ix]MELUCCI, Alberto. Juventude, tempo e movimentos sociais. in Revista Brasileira de Educação. nº 5 e 6. São Paulo: ANPED, 1997. p. 11.
[xi]MELUCCI, Alberto. Juventude, tempo e movimentos sociais. in Revista Brasileira de Educação. nº 5 e 6. São Paulo: ANPED, 1997. p. 11-12.
[xiii]IDEM, Ibdem. p. 256.
[xvi]IDEM, Ibdem. p. 212.
[xvii]IDEM, Ibdem. p. 213.
[xviii]IDEM, Ibdem. p. 212.
[xix]IDEM, Ibdem. p. 29.
[xx]IDEM, Ibdem. p. 28.
[xxi]IDEM, Ibdem. p. 27.
[xxii]IDEM, Ibdem. p. 26.
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